Sunday, 1 December 2013

Sobre Mudar de Vida

A incrível história da professora brasileira do MIT que largou tudo para dançar tango.

21/10/13, Gluck Project.


Trechos:

"Além de toda essa crise existencial que levou uns 6, 7 anos para eu superar, não podemos esquecer que meu doutorado foi em “tomada de decisões em regimes de incerteza”. Era muita ironia para mim que eu fosse considerada uma autoridade no assunto, quando na minha própria vida eu me sentia completamente despreparada para tomar decisões. Usando palavras de Ernesto Sabato (escritor e artista plástico argentino), sentia na pele que “a razão não serve para a existência”. E passava a encarar com muito ceticismo a vida científica e a questionar os sacrifícios da minha vida pessoal.

E como você largou tudo isso para se tornar dançarina de tango?

Nunca pensei em ser bailarina profissional, mas sempre amei a dança, já com 7, 8 anos ficava vendo Margot Fonteyn (bailarina inglesa) na televisão. Um ano antes de sair do Brasil tive contato com as danças de salão e comecei a dançar forró – primeiro uma noite por semana, e em pouco tempo, já eram cinco vezes por semana, uma obsessão! Na dança me sentia livre, completamente feliz e identificada, cheia de prazer. Sinto que viver, e especialmente ser consciente de nossa condição, é incrivelmente difícil, é a carga do ser humano: viver sabendo da arbitrariedade do sofrimento, de nossa impotência diante da tragédia, doença, de todos os males que afetam os seres que amamos, viver lembrando de nossa própria mortalidade. A religião de alguma forma tenta resolver isso, oferece uma teoria, mas na minha mente (que até hoje funciona mais pela lógica), eu consigo ao máximo ser agnóstica, admitindo que não posso saber se tudo tem um motivo ou é completamente aleatório. Não é uma posição muito confortante ou satisfatória. Como alternativa, alguns de nós buscamos aliviar ou resolver essas questões pela ciência, que também está limitada em suas respostas. E o tango, ao final, não pode me dar nenhuma resposta, mas me dá outra coisa: faz com que todas essas questões se tornem “irrelevantes”. O tango tem esse poder de me ancorar no presente, no prazer físico do movimento, no prazer emocional do encontro com a música e com outra pessoa. Minha crise existencial se dissolve diante disso.

Muitas pessoas dizem que querem mudar de vida, mas tem medo. O que você acha que leva as pessoas a ficarem tantos anos vivendo uma vida que não lhes traz felicidade?

A incerteza dá muito medo. Deixar de lado um caminho que não é muito feliz, mas não chega a ser terrível para apostar em algo sem garantia de resultado não é fácil. A mudança é incômoda. Recomeçar do zero é árduo e acho que se no momento da decisão eu tivesse uma família, não sei se teria bancado a incerteza econômica. Se bem que eu acho que mesmo com as responsabilidades, valeria a pena. (...)
Percebi que além do medo natural e as incertezas, há uma barreira muito importante para a mudança: as crenças que criamos sobre nossa identidade. Eu fui uma criança que ia muito bem na escola, que me destacava nas ciências exatas – que por algum motivo eram muito intuitivas para mim – e acreditava que aí estava meu valor. Foi só no momento em que meu amigo demonstrou sua preocupação comigo que comecei a ver que eu era muito mais que isso. Então, acredito que para a mudança, deve-se estar atento às “hipótese implícitas” que se formam sobre nossa identidade e valor. Até hoje sigo nesse labirinto de identidade já que ao romper essas crenças, passei por um período de desprezo pelo meu lado matemático. Ainda não entendo completamente minha dualidade e não sei como integrar os dois lados em um todo harmonioso, mas continuo tentando! (...)

Quando era criança, meu pai me contou de um fotógrafo cujo hobby era fotografia; ele o considerava realmente afortunado. Eu tive a imensa sorte de conseguir o mesmo: quando não estou trabalhando, quero dançar! Que mais poderia pedir da vida?"


What if Money Was No Object? - Alan Watts

Em Busca da Igualdade







Felicidade e Morte


15/10/13 - Entrevista no Gluck Project

Trechos:

Você conheceu alguém que chegou ao fim da vida sem arrependimentos?

Sim. São pessoas que fizeram o melhor que puderam. Me lembro de um paciente, um homem que era ateu. A gente teve essa conversa sobre arrependimentos durante um pôr-do-sol. Eu perguntei a ele: “Você se arrepende de alguma coisa? Você faria alguma coisa diferente?” E ele disse que não. Disse: “Se eu tivesse escolhido outros caminhos, teria encontrado outros abismos, outras curvas. As decisões que eu tomei foram as melhores que podia tomar naquele momento. Eu fiz o melhor que pude. Então eu estou em paz.” E ele nunca fez terapia! Ele já nasceu pronto! Ele era ateu, então sua dimensão espiritual era em relação com a natureza e o universo. A pessoa pode se relacionar consigo mesmo, com os próximos, com o universo ou com Deus. Cada um trabalha em uma dessas dimensões. Esse paciente se relacionava com o universo. Então ele falava para mim: “Ana Paula, olha o sol. O sol está morrendo. Por que eu tenho que viver para sempre, se tudo no universo nasce, tem seu desenvolvimento e morre?” E esse homem morreu no pôr-do-sol, exatamente.

Mas isso é a minoria dos casos… É mais raro, porque as pessoas na maior parte das vezes tomam decisões que não são baseadas no melhor para elas, mas no que os outros acham que é melhor. O grande dilema do ser humano é ser amado. E quando ele toma essas decisões, se baseia na possibilidade de receber mais amor. O que as pessoas não entendem é que não é um ato de egoísmo você pensar no que é melhor para você. Você escolher algo que vai te fazer mais feliz não é maldade – pelo contrário. Imediatamente você também vai deixar mais felizes as pessoas à sua volta. E você também vai ser amado.“

Por que você acha que tanta gente se arrepende de ter trabalhado tanto?

O trabalho tem a ver com o tempo dedicado. Se você pensar, (…) nove horas no trabalho, mais oito para dormir, sobram sete horas para viver. E nessas sete você também pensa no trabalho. No fim da vida, você olha para trás e vê tudo o que se dedicou ao trabalho – talvez você tenha sido demitida aos 40 anos, ou você não gostava da profissão, ou escolheu a carreira para agradar seu pai ou sua mãe, ou ficou trabalhando para juntar patrimônio para seus filhos. No fim, você não leva nada disso. Agora, se você faz um trabalho que realiza você, que a deixe satisfeita consigo mesmo, e que traz resultados bons pra sua vida pessoal, ninguém se arrepende(…)

Para alguém que vê tão de perto o fim da vida, quais seriam suas dicas para viver bem? Seria não se preocupar?

Não tem essa de não se preocupar. Isso seria muito hedonista, né? “Ah, então vou levar a vida na flauta”, mas a vida não é uma flauta, ninguém veio a passeio. A dica não é levar nada a sério, é levar tudo a sério. Mas de maneira que, ao final, você possa dizer que fez escolhas conscientes. Não pode ficar se martirizando. Você faz uma escolha com trinta anos e aí aos cinquenta fica se lamentando: “Ai, como pude fazer aquilo”. Isso é roubar no jogo: você é uma criatura de cinquenta anos julgando uma de trinta, que não tinha noção do que podia acontecer. Isso é errado, não é honesto. Honesto é olhar para o momento em que você tomou aquela decisão e ver se você seguiu seu coração.
(…)
Sinto que as pessoas se perdem tentando seguir todas as regras que existem para viver mais e melhor… Você já fez a conta de quanto tempo se perderia se você mastigar 25 vezes, se você meditar uma hora, se você fizer atividade física? Cai na real. Que horas isso vai acontecer? Acho que a medicina é uma forma das pessoas se distraírem um pouco daquilo que realmente importa, que é viver. Mas a gente deveria usar a medicina como uma ferramenta para viver melhor. E isso não é uma receita de bolo, porque o meu “viver melhor” não é o seu. Não adianta seguir todos os conselhos. (…)

O que é importante para se despedir bem?

Eu acho que o que é mais difícil é ter pessoas ao teu lado que vão dar conta de cuidar de você nesse momento. Essa área que eu faço precisa de profissionais qualificados. Humanidade é um negócio que você desenvolve ao longo da vida. E para você estar do lado das pessoas que estão no fim da vida, você tem de ter formação e conhecimento. 

(...) O mais difícil é sempre para o paciente. Se meu pai morreu, ele se despediu da vida. Eu perdi meu pai, mas ele perdeu tudo. (...) Porque a tristeza existe, mas existe uma paz de que tudo foi feito.”

Thursday, 18 July 2013

The Darwinian Life – a Summary


LIFE is about:

Survival    and    Reproduction 
Reproduction is more important than survival, therefore much of daily existence is about showing off in ways that attract members of the opposite sex and intimidate those of the same sex.
In modern society, status is mediated by money.
Status, though, is always relative: it is about outdoing the competition. This is the ultimate engine of economic growth. Since status is a moving target, there is no such thing as enough money.
BUT: Once economic growth has lifted a country out of penury, its inhabitants are likely to live longer, healthier lives if there are not huge differences between their incomes. This means that poorer countries with low income-variation can outscore richer ones with high variation. Those at the bottom of social hierarchies have worse health than those at the top.
The sense of justice, ideas of revenge and punishment are unique human concepts that have allowed us to become a successful, collaborative species. It has evolved as mechanisms for societies to function well internally.
Ex: No court sits in judgement over a drake who has raped a duck. A lioness may try to defend her cubs against infanticide, but if she fails she does not plan vengeance against the male who did it. Instead, she usually has sex with him. 
It is one of the marvels of civilisation that punishment and revenge have, for the most part, been institutionalised. But to be successful, the institutionalised punishment has to be seen as a proper outcome by the individuals who were harmed. Otherwise, they might mete out their own revenge.  

Thursday, 27 June 2013

On Brainwashing

Do you believe in brainwashing?

On 16/02/13 by Oliver Burkeman, The Guardian.      

Extracts:

“The term "brainwashing" first became widespread in the 1950s, to explain why some US soldiers, taken prisoner in Korea defected to the enemy.
(…)
The concept was a handy way of avoiding darker questions about psychology. If brainwashing exists, the main thing is just to keep clear of brainwashers. But in fact the world's full of "hidden persuaders", large and small. There isn't a secret switch that lets villains control your thoughts; instead, there are TV ads and manipulative friends and guilt-inducing religions, and a million other ways in which we influence, and are influenced, all the time.
(…)
We crave the sense of having consistent personalities, and that means not abandoning a path you've been on for months or years already.
(…)
It's worthwhile, and a bit alarming, to ask how many other projects we fail to abandon – bad jobs, bad marriages, bad wars – because we think we've invested too much to turn back. Scientologists believe some ridiculous things (for example, that humans are possessed by the souls of extraterrestrials who were brought to earth 75m years ago, and killed using hydrogen bombs). The scarier truth is that the rest of us do, too.”


Sunday, 12 May 2013

On Universal Beauty

Is beauty in the eye of the beholder? Is it just a cultural construct? 

Denis Dutton's provocative theory on beauty -- that art, music and other beautiful things are a core part of human nature with deep evolutionary origins.